Durante as típicas arrumações a que todos nós somos obrigados a fazer (muito infelizmente) encontrei numa das minhas medonhas gavetas uma carta maltratada pelo tempo, a curiosidade apoderou-se de mim e devorei o seu conteúdo:
"Eu preenchia as tuas faltas e tu fazias com que os meus defeitos fossem insignificantes. Eu ensinava-te o que não sabias e tu mostravas-me o que ainda há para descobrir neste lugar tão extenso. O teu sorriso era metade do meu e a minha mão era a simetria perfeita da tua.
Contigo eu era mais, maior e melhor, comigo tu não eras apenas um sonhador. No entanto as palavras falharam no momento em que foram mais precisas, toda a espécie de erros foram cometidos e a distância instalou-se.
Agora eu só quero voltar a ser aquela pessoa na qual me transformas-te e isso sem ti é impossível portanto, qu ando quiseres voltar, eu estarei aqui. No sítio do costume, à mesma hora de sempre."
No final da leitura olhei para o envelope e não fui capaz de ignorar as letras avermelhadas, enormes, que saltavam na minha direcção. "DEVOLVIDA AO REMETENTE".
(inventado)
(inventado)
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